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May 23, 2025

Avanço desigual: acesso ao planejamento familiar em Gana tem progressos, mas ainda exclui as mulheres mais vulneráveis

Photo by Oswald Elsaboath on Unsplash

O uso de métodos modernos de planejamento familiar aumentou em Gana na última década, mas o acesso a esses recursos ainda está longe de ser equitativo. É o que mostra um novo estudo publicado na BMC Public Health, com coautoria de Cauane Blumenberg, do Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH). A pesquisa revela que mulheres com menor escolaridade, em situação de pobreza ou residentes na região Norte continuam enfrentando obstáculos importantes para acessar esses serviços. De 2013 a 2022, a proporção da demanda por planejamento familiar satisfeita por métodos modernos (DFSM)subiu de 33% para 49,5%. No entanto, o avanço foi desigual.

“Os dados revelam duas realidades simultâneas”, afirma Blumenberg. “Por um lado, Gana tem motivo para comemorar por alcançar quase 50% de cobertura. Por outro, vemos que as populações mais vulneráveis — especialmente mulheres pobres, rurais e do Norte — não estão se beneficiando desse progresso na mesma medida.”

O artigo é fruto do Countdown to 2030 Fellowship, programa que apoia jovens pesquisadores africanos na produção de estudos sobre nutrição e saúde reprodutiva, materna, infantil, do adolescente (RMNCAH+N, na sigla em inglês). Blumenberg atuou como coorientador da autora principal, Akua Amponsaa Obeng, junto com especialistas do Centro Africano de Pesquisa em População e Saúde (APHRC) e da Universidade de Southampton.

A equipe analisou dados nacionais das pesquisas Performance Monitoring for Action (PMA) e Demographic and Health Survey (DHS), com foco em tanto em tendências quanto em desigualdades. Apesar do crescimento médio anual de 3,8% na cobertura de mDFPS, as desigualdades associadas à escolaridade, renda e localização geográfica continuam enraizadas.

Os principais resultados revelam que uma preocupante diferença de 3,8 pontos percentuais persiste entre mulheres com ensino superior e aquelas sem instrução formal. As mulheres residentes na região Norte apresentaram consistentemente os níveis mais baixos de DFSM em todos os anos de pesquisa, enquanto as de famílias mais ricas demonstraram um acesso significativamente melhor.

Fatores sociodemográficos como estado civil, idade e situação profissional também influenciaram o acesso. Curiosamente, mulheres casadas ou em união estável tiveram 33% menos probabilidade de ter suas necessidades de planejamento familiar atendidas em comparação com mulheres solteiras, apontando para o impacto das normas de gênero e da dinâmica dos relacionamentos. Mulheres com idade entre 20 e 35 anos e aquelas que estavam empregadas tiveram maiores chances de usar métodos contraceptivos modernos.

“O estudo mostra que não dá mais para apostar em soluções únicas para realidades tão diversas”, conclui Blumenberg. “É preciso investir em estratégias voltadas especialmente para mulheres mais vulneráveis — aquelas que vivem em situação de pobreza, têm pouca ou nenhuma escolaridade e residem em regiões desassistidas.”

Entre as recomendações dos autores estão a ampliação dos serviços comunitários, o fortalecimento da educação de meninas e adolescentes e o desenvolvimento de programas de planejamento familiar sensíveis às realidades culturais locais — todos com foco em ampliar o acesso equitativo.

Leia o artigo completo na BMC Public Health.