O Countdown to 2015 teve início em 2005 como uma iniciativa do grupo de autores da série sobre Sobrevivência Infantil da revista Lancet em 2003. O epidemiologista Cesar Victora, um dos autores da série, foi também cofundador da iniciativa Countdown to 2015: Sobrevivência Materna, Neonatal e Infantil, com o objetivo de monitorar a cobertura populacional de intervenções comprovadamente eficazes para prevenir as principais causas de morte entre mulheres e crianças em países de baixa e média renda.
De característica multissetorial, o Countdown to 2015 monitorava o progresso dos países em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) números 4 (Sobrevivência Infantil) e 5 (Saúde Materna). Diferente de outras iniciativas, a equidade em saúde estava no centro dos esforços de monitoramento. Para essa tarefa, foram necessários indicadores de saúde padronizados, estratificados por todas as dimensões relevantes de equidade.
Em 2009, Cesar Victora apresentou a Aluísio Barros um grande desafio: reanalisar todas as pesquisas disponíveis do MICS e do DHS para produzir estimativas estratificadas dos indicadores dos ODMs. O desafio foi aceito, e o Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH) nasceu como um parceiro-chave do Countdown.
Em poucos meses, a plataforma de análise projetada para lidar com todas as especificidades das pesquisas já estava funcionando, e as estimativas estavam sendo produzidas. Essas estimativas foram a base para o Relatório da Década do Countdown (2000-2010), publicado em 2010.
Desde então, o ICEH cresceu em tamanho e abrangência, desempenhando um papel central de apoio às atividades de pesquisa, treinamento e disseminação no Countdown. Em 2015, quando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram lançados, a iniciativa foi renomeada para Countdown to 2030 for Women’s, Children’s & Adolescents’ Health (Saúde de Mulheres, Crianças e Adolescentes). Atualmente, o foco do Countdown está no trabalho de base, desenvolvendo atividades de monitoramento com 25 países africanos, juntamente com o fortalecimento de capacitações, por meio de programa de bolsas para jovens pesquisadores, e a realização de estudos multicêntricos sobre prioridades regionais de saúde. Visite o site do Countdown para acessar mais informações, relatórios, publicações e ferramentas de análise de equidade em saúde.
Coleção de relatórios do CD2015 no período MDG
A Lives Saved Tool (LiST) é uma ferramenta de modelagem matemática desenvolvida para estimar o impacto da ampliação de intervenções específicas relacionadas à saúde materna, neonatal, infantil e nutrição (MNCH&N) sobre a mortalidade materna e infantil. Ao estimar o número de vidas salvas em diferentes cenários, a ferramenta fornece subsídios a formuladores de políticas para priorizarem investimentos em saúde. O LiST foi criado e é mantido por uma equipe da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins, liderada por Neff Walker.
Em parceria com a equipe do LiST desde 2013, o ICEH fornece indicadores de saúde desagregados sob encomenda, essenciais para a ferramenta. Atualmente, o ICEH provê mais de 15 mil estimativas por pesquisa analisada, cobrindo temas como cuidados pré-natais, aleitamento materno, desenvolvimento infantil, saúde da criança, cuidados no parto, práticas alimentares, fertilidade, gênero, malária, mortalidade, estado nutricional, saúde sexual e reprodutiva, entre outros.
A GAVI, the Vaccine Alliance, é uma iniciativa que nasceu da necessidade de promover avanços na imunização internacional e de tornar as vacinas mais acessíveis para países de baixa renda. Atualmente, a iniciativa responde pela vacinação de mais da metade das crianças do mundo, como fruto de seus esforços para negociar os preços das vacinas aos países mais pobres e financiar parte dos custos de implementação.
Em 2018, com o objetivo de apoiar a GAVI em sua missão de salvar vidas por meio da ampliação do uso equitativo e sustentável de vacinas, o ICEH iniciou uma parceria com a iniciativa. Desde então, uma equipe de ambas as instituições vem realizando diversas análises para identificar os fatores que têm influência sobre a adesão à vacinação e sobre as desigualdades em países de baixa e média renda. Com uma perspectiva global de saúde, a equipe abrangeu uma ampla gama de temas relacionados à vacinação, incluindo afiliação religiosa, etnia, empoderamento feminino, múltiplas privações e o uso de cartões de vacinação.
Essa parceria já resultou em mais de 25 análises com foco em equidade na vacinação e na produção de vários artigos científicos revisados por pares, disponibilizados em nossa lista de publicações. Entre os principais avanços, destacam-se as análises de crianças “zero dose” (aquelas que não receberam nenhuma das vacinas básicas), estudos de cascata de vacinação (acompanhando perdas ao longo do esquema vacinal) e o desenvolvimento de novos indicadores de vacinação alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que permitem monitorar as desigualdades e orientar políticas de saúde. Essas investigações aprofundam o entendimento sobre os determinantes das baixas coberturas vacinais, permitindo direcionar ações para comunidades e grupos que seguem sendo deixados para trás.
Mais informações sobre a GAVI, The Vaccine Alliance estão disponíveis aqui, e sobre as publicações do ICEH aqui.
De 2017 a 2025, o Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH) atuou em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) como um Centro Colaborador da OMS para Monitoramento da Equidade em Saúde. Sob a liderança dos professores Aluisio Barros, Cesar Victora e Fernando Wehrmeister, essa parceria foi essencial para o avanço dos esforços globais de monitoramento da equidade em saúde. A designação do ICEH como centro colaborador, identificada sob o código BRA 84, foi inicialmente concedida para o período de 2017 a 2021 e renovada com sucesso em 2021, reafirmando o compromisso do ICEH em apoiar a OMS no enfrentamento das desigualdades em saúde e na promoção de desfechos equitativos em saúde em escala global.
Como centro colaborador, as atividades do ICEH incluíram o fornecimento de assistência técnica no monitoramento das desigualdades em saúde para os Estados-Membros da OMS.
A atividade central dessa colaboração foi a manutenção e atualização de um banco de dados global da OMS, com dados desagregados sobre saúde reprodutiva, materna e infantil. Os dados provenientes de inquéritos representativos em âmbito nacional, especialmente das pesquisas DHS e MICS, foram reanalisados para fornecer uma ampla gama de indicadores desagregados por várias dimensões de desigualdade. Esses conjuntos de dados estão disponíveis publicamente por meio da ferramenta Health Equity Assessment Toolkit (HEAT) e do Health Inequality Data Repository.
As atividades adicionais incluíram análise de dados, desenvolvimento de produtos, além de treinamento e capacitação para fortalecer a capacidade dos países em monitorar a equidade em saúde. Vários resultados dessa colaboração foram divulgados por meio de artigos científicos e relatórios técnicos. Alguns exemplos incluem (mas não se limitam a) análises sobre a imunização em zero doses, o desenvolvimento de um novo estratificador de equidade chamado Status de Privação Socioeconômica (SDS) e análises de desigualdades nas gestações na adolescência na América Latina e no Caribe. Nas várias páginas deste site, nossas ferramentas, produtos e resultados estão apresentados, explicados e disponibilizados, quando aplicável.
Mais informações sobre os Centros Colaboradores da OMS podem ser encontradas [aqui].
A Umane, organização da sociedade civil que fomenta projetos em saúde pública, e o ICEH estabeleceram uma parceria em 2024 para expandir a análise de dados brasileiros sobre desigualdades em saúde de mulheres, crianças e adolescentes. A colaboração fortalece o monitoramento de indicadores de saúde no Brasil e em países de baixa e média renda, integrando informações nacionais a um banco de dados global que abrange 122 países.
O trabalho conjunto tem como foco monitorar desigualdades no Brasil por meio de análises de dados; influenciar políticas públicas, identificando populações e geografias vulneráveis; contribuir para a Agenda 2030, ao apoiar agências multilaterais como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS); e formar recursos humanos, oferecendo treinamentos em análise de desigualdades em saúde. Desde o início da parceria, no segundo semestre de 2024, já foram produzidas publicações científicas e apresentações em congressos nacionais e internacionais.
Como parte da iniciativa, o ICEH criou uma página especial no Observatório da Saúde Pública da Umane, que reúne análises sobre temas prioritários em linguagem acessível a gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e sociedade civil. O espaço já apresenta estudos sobre pré-natal oportuno e maternidade na adolescência no Brasil e fortalece o papel da parceria em traduzir ciência em evidências aplicáveis, apoiando a formulação de políticas públicas mais eficazes e equitativas.