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April 16, 2025
Countdown to 2030: Relatório da Lancet destaca progressos e lacunas na saúde materno-infantil e adolescente, com participação estratégica do ICEH

O Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH) está entre os principais colaboradores da nova edição do relatório Countdown to 2030, publicado esta semana pela revista The Lancet. O documento acompanha o progresso global em saúde e nutrição para mulheres, crianças e adolescentes – com foco especial na África Subsaariana. A edição de 2025 traz uma análise detalhada dos avanços e desafios pendentes, destacando o papel central da equidade e da qualidade dos serviços nos resultados de saúde.
O professor Aluísio J.D. Barros, do ICEH, é um dos autores principais do documento e coordenou a Seção 3, dedicada à cobertura e equidade em saúde. Pesquisadores do ICEH e do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel – Cesar Victora, Cauane Blumenberg, Leonardo Ferreira, Franciele Hellwig e Ghada E. Saad – também assinam o relatório como coautores.
Os dados da Seção 3 revelam que, embora a cobertura de intervenções essenciais em saúde materna, neonatal e infantil (SMNI) tenha aumentado durante o período dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, 2016–2023), o ritmo de progresso desacelerou em comparação com a era dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A exceção foi a África Ocidental e Central, única região que acelerou seus ganhos na fase dos ODS.
O relatório documenta reduções significativas nas desigualdades por nível socioeconômico na maioria dos países de baixa e média renda – avanço impulsionado principalmente pela melhoria mais rápida entre as populações mais pobres. No entanto, as disparidades subnacionais permanecem graves: cerca de metade dos países analisados registrou aumento nas desigualdades geográficas. Essas lacunas destacam a necessidade urgente de políticas adaptadas a cada contexto para garantir que o progresso beneficie todos os grupos populacionais.
O ICEH contribuiu com o desenvolvimento de indicadores inéditos, como o ANCq+ (um índice qualificado de atendimento pré-natal) e métricas de co-cobertura para saúde materna e neonatal. Essas ferramentas permitiram análises mais profundas sobre a qualidade do cuidado – ainda difícil de avaliar em muitos países devido à escassez de dados. Os resultados apontam melhorias gerais, mas revelam que grupos-chave, como adolescentes, seguem com acesso limitado a serviços como planejamento familiar.
Um ponto crítico é a subutilização persistente de cesáreas entre mulheres pobres em países de baixa renda, em contraste com o excesso de procedimentos em nações de renda média-alta. Esse desequilíbrio reflete tanto necessidades não atendidas quanto alocação ineficiente de recursos – problema que demanda maior ênfase na qualidade do cuidado obstétrico e emergencial.
Acompanhando o relatório, The Lancet publicou um comentário intitulado “Promessas Quebradas: O Congelamento da Ajuda Externa dos EUA Ameaça a Saúde de Mulheres, Crianças e Adolescentes”, assinado por Aluísio Barros e outros autores líderes do estudo. O texto alerta: cortes abruptos e em larga escala na ajuda internacional – especialmente dos Estados Unidos – representam um risco grave ao acesso a serviços de saúde essenciais em países de baixa e média renda. Os autores argumentam que essas reduções orçamentárias podem reverter anos de avanços na saúde materno-infantil e aumentar a mortalidade, principalmente entre os mais pobres. A convocação é por solidariedade internacional e financiamento sustentável para proteger conquistas históricas.